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quarta, 15 agosto 2018 10:34

A Primeira Organização Militar da História Destaque

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A primeira evidência histórica da organização de um exército vem do império sumério do Oriente Médio na Babilónia. Figurinhas do 4º milénio aC mostram soldados a pé com capacetes de cobre e mantos pesados carregando lanças curtas.

Soldados sumérios também usavam fundas e arcos simples. Os soldados da infantaria ligeira carregavam machados de guerra, adagas e lanças. A infantaria regular também usava capacetes de cobre, mantos de feltro e capacetes de couro. Os exércitos sumérios consistiam principalmente de infantaria.

 

As guerras quase constantes entre as cidades-estado da Suméria durante 2000 anos ajudaram a desenvolver a tecnologia militar e as técnicas da Suméria a um nível alto. A primeira guerra registada foi entre Lagash e Umma por volta de 2525 aC .

Mostra o rei de Lagash liderando um exército sumério que consiste principalmente de infantaria

Os soldados de infantaria carregavam lanças, usavam capacetes de cobre e carregavam escudos de couro ou de vime. Os lanceiros são mostrados dispostos no que se assemelha à formação da falange, que requer treino e disciplina; isso implica que os sumérios podem ter feito uso de soldados profissionais.

As forças militares sumérias usavam carros atrelados aos onagros. Esses primeiros carros funcionavam menos eficientemente em combate do que os projectos posteriores, e alguns sugeriram que esses carros serviam basicamente como transportes, embora a tripulação carregasse machados e lanças de combate. A carruagem suméria era composta por um dispositivo de quatro rodas, tripulado por dois tripulantes e atrelado a quatro onagros. O carrinho era composto por uma cesta tecida e as rodas tinham um design sólido de três peças.


As cidades sumérias eram cercadas por muralhas defensivas. Os sumérios se envolveram na guerra de cerco entre suas cidades, mas as paredes de tijolos de barro foram capazes de deter alguns dos ataques.

Um olhar mais atento

Antes de 2300 a.C., o território entre os rios Tigris e Eufrátes estava dividida em cidades-estado. Essas cidades guerreavam entre si, geralmente para se apoderarem de recursos. As cidades sumérias não dispunham de exércitos permanentes, dependiam da formação de levas de cidadãos para poder ir para a guerra. Un exército típico da época podia oscilar entre os 800 e os 1.000 combatentes. Graças à descoberta por parte de Sir Leonard Woolley do Estandarte Real de UR nos túmulos reais da dita cidade., abemos que um exército sumério baseava a a sua força numa falange. Os soldados protegiam-se com capacetes de couro e tranportavam lanças com 3 metros de comprimento com ponta em bronze ou  cobre, sendo mais utilizada a segunda, pois o bronze era caro e não todas as cidades podiam dispôr de grandes quantidades do dito metal. Pensa-se que os escudos eram feitos de vime e cobertos de couro. A táctica era simples: as duas falanges inimigas, com um número indeterminado de filas, enfrentavam-se uma à outra chocando escudo contra escudo e lança contra lança. Vencia quem aguentava mais sem perder a formação. A melhor protecção contra essa táctica consistia nuns mantos de couro, reforçados com placas de bronze, que cobriam os soldados, mas não todos. Sómente os chefes e líderes o utilizavam, por exemplo, capacetes de bronze.

 

Com infantaria sabemos que estavam em pouco número os arqueiros, o facto do seu menor número devia-se à construção dos arcos sumérios que eram feitos de madeira de palma, e por isso não eram demasiados potentes. Mais efectivos que os arqueiros eram dos fundeiros, que actuavam fustigando os flancos da falange inimiga. Os fundeiros com mias fama vinham de Eridu e Nippur. No Estandarte Real de UR vemos também alguns carros de guerra, de quatro rodas. Reconstruções modernas mostram que eram lentos e dificeis de manobrar, pelo que apenas deviam ser utilizados como elemento de apoio.

É neste tempo, em pleno auge das cidades-estado, que aparece uma personagem que vai revolucionar o vale dos rios, Sargão de Akhad. Segundo os seus textos autobiográficos era acádio, filho de uma sacerdotsa, mãe solteira, que o havia abandonado numa cesta no rio. A cesta foi encontrada por um jardineiro do rei de Kish, o qual o adoptou e o introduziu na corte real. Anos depois foi nomeado copeiro do rei, faz um golpe de estado e surpou o trono. Uma vez convertido em monarca de Kish, realiza várias reformas no exército e nas tácticas militares da época.

A primeira reforma consistiu em crear um exército profissional. Em um dos seus textos podemos ler que na capital da Acádia (Agadé) existiam 5.000 soldados profissionais, que eram alimentados e pagos do seu bolso. Isto permitia, por um lado, assugurar a lealdade desses soldaos, e também, dispôr durante todo o ano de uma quantidade de guerreiros profissionais treinados que eram superiores em número os habituais destacamentos de cidadãos. Cada vez que conquistava uma cidade, colocava uma pequena guarnição acádia nela. No total calcula-se que o exército acádio, no reinado de Sargão, podia ter  35.000 efectivos.

Em relação ao armamento, a reforma também foi ampla, afectando a táctica militar. Sargão manteve o uso da falange de soldados de infantaria cobertos com mantos reforçados. Ás lanças sumérias adicionou o siparru. Esta arma já era usada por líderes e generais sumérios, geralmente a conhecemos como uma "espada-foice". Era de bronze, o que implicava dispôr de uma grande quantidade do dito metal, razão pela qual Sargão se apressou a a conquistar a parte montanhosa de Elam, que fica na actual fronteira entre o Iraque e o Irão, que era rica em minas de cobre e estanho. Apesar de se chamar espada, na realidade não era usada como tal. O siparru era utilizado para atacar o escudo do adversário e descobrir a sua garganta. Outro uso mais directo era a degolação de sentinelas.

 

Para além do siparru, Sargão introduziu de forma massiva o arco composto, já utilizado anteriomente pelos nómadas acádios. Era contruido com lâminas de madeira forte, reforçadas na parte externa por tendões de animais, e na interna por peças de cornos de animais. Tudo era unido por uma cola especial composta, por tendões servidos e pele de peixe. Ao contrárrio do arco sumério, que não devia alcançar as 30 ou 35 libras de potência, o arco acádio superava folgadamente as 55, o que equipado com uma ponta de bronze permitia atravessar os mantos reforçados da infantaria suméria. Graças a esta arma, a falange acádia avançava em direcção ao inimigo apoiada por um forte contigente de arqueiros que a partir da sua rectaguarda atiravam flechas contra o inimigo.

Outros elementos utilizados no seu esquema de guerra, foi o aumento do número de fundeiros, e da técnicas de cerco para derrubar muralhas. O monarca acádio adoptou o costume dr recrutar os vencidos. Ate então, os soldados derrotados podiam ser perdoados directamente, limitando-se a regressar a suas casas(raras vezez), executados no campo de batalha(o mais habitual) ou submetidos à escravidão. Sargão perdoava os vencidos e depois os alistava num regimento profissional. Com isso aumentava o número de efectivos do seu exército.

Este enorme e treinado exército, fez com que Sargão passasse de Rei de Kish a Senhor das Quatro Zonas do Mundo, extendendo o seu omínio desde a moderna fronteira entre o Irão e o Iraque até à actual Turquia.

 

 

Bibliografia

  • Ascalone, Enrico. 2007. Mesopotamia: Assyrians, Sumerians, Babylonians (Dictionaries of Civilizations; 1). Berkeley: University of California Press. ISBN 0-520-25266-7 (paperback).
  • Bottéro, Jean, André Finet, Bertrand Lafont, and George Roux. 2001. Everyday Life in Ancient Mesopotamia. Edinburgh: Edinburgh University Press, Baltimore: Johns Hopkins University Press.
  • Crawford, Harriet E. W. 2004. Sumer and the Sumerians. Cambridge: Cambridge University Press.
  • Leick, Gwendolyn. 2002. Mesopotamia: Invention of the City. London and New York: Penguin.
  • Lloyd, Seton. 1978. The Archaeology of Mesopotamia: From the Old Stone Age to the Persian Conquest. London: Thames and Hudson.
  • Nemet-Nejat, Karen Rhea. 1998. Daily Life in Ancient Mesopotamia. London and Westport, Conn.: Greenwood Press.
  • Kramer, Samuel Noah (1972). Sumerian Mythology: A Study of Spiritual and Literary Achievement in the Third Millennium B.C. (Rev. ed.). Philadelphia: University of Pennsylvania Press. ISBN 0812210476.
  • Roux, Georges. 1992. Ancient Iraq, 560 pages. London: Penguin (earlier printings may have different pagination: 1966, 480 pages, Pelican; 1964, 431 pages, London: Allen and Urwin).
  • Schomp, Virginia. Ancient Mesopotamia: The Sumerians, Babylonians, And Assyrians.
  • Sumer: Cities of Eden (Timelife Lost Civilizations). Alexandria, VA: Time-Life Books, 1993 (hardcover, ISBN 0-8094-9887-1).
  • Woolley, C. Leonard. 1929. The Sumerians. Oxford: Clarendon Press.

 

 

Ler 437 vezes Modificado em quarta, 15 agosto 2018 13:56
José Carlos Palma

José Carlos Palma é analista de sistemas, gestor de TI, blogueiro e também um grande de fã de sistemas operacionais, banco de dados, software livre, redes, programação, dispositivos móveis e tudo mais que envolve tecnologia. Há quem tenha sede de poder, sede de fama ou de reconhecimento... ele tem sede de conhecimento. É algo que sempre o acompanhou, sempre quis saber mais, sempre foi aquela criança que fazia as perguntas difíceis e inconvenientes. Decidiu partilhar o conhecimento com todos aqueles que como ele querem ter um mundo melhor. Criou a Smartencyclopedia como um espaço de partilha de conhecimento, e ideias, para que todos os que queiram possam colaborar neste projecto. Todos nós temos algo para ensinar e partilhar. Juntem-se a nós neste Mundo de Conhecimento! (inscrevam-se e se desejarem colaborar digam-nos através do nosso contacto)

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