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quarta, 15 janeiro 2020 07:19

'1917' leva público às trincheiras da 1ª Guerra com uma realidade e técnica impecável Destaque

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 Acompanhar uma missão de soldados com uma missão em tempo real. Ter a sensação imersiva de estar lá como num video game num filme com 10 indicações ao Oscar que estreia em Portugal em 23 de Janeiro.

A 1ª Guerra Mundial no seu melhor é trazida aos écrans com toda a sua crueldade e rigor histórico onde o espectador é levado para dentro do filme. 1917 de Sam Mendes criou uma das melhores representações cinamatográficas sobre este mortífero conflito. A mim diz-me muito pois consigo colocar-me no lugar do meu avô que combateu nesta guerra de trincheiras tendo sido ferido  em combate na Batalha de La Lys.

Através de uma edição sem cortes e em tempo quase real, o director britânico Sam Mendes (vencedor do prémio da Academia por "Beleza americana") aproxima o público da lama dos campos de batalha e da tensão dos soldados. 

Com uma edição sem cortes e em tempo quase real, o director britânico Sam Mendes(ganhador do prêmio da Academia por "Beleza americana") aproxima o público da lama dos campos de batalha e da tensão dos soldados. Com uma perspectiva tão próxima dos protagonistas e sem atalhos, é difícil não sentir a aflição de cada uma de suas escolhas.

Essas escolhas, no entanto, aproximam a narrativa um pouco da linguagem de um video game, com uma câmera por cima dos ombros dos heróis e suas fases bem demarcadas. Algo que não é um problema em si, mas que tira um pouco do perigo de vida iminente.

Afinal, até no mais cruel dos games modernos a morte poucas vezes é definitiva.

Faces desconhecidas

 

"1917" retrata a missão de dois soldados ingleses que devem entrar em território inimigo para levar uma mensagem urgente a uma tropa aliada prestes a cair numa cilada.

A ausência de grandes astros no lugar da dupla de protagonistas, os britânicos Dean-Charles Chapman ("Game of thrones") e George MacKay ("Capitão Fantástico"), ajuda a criar a atmosfera realista desejada por Mendes.

Mas os jovens actores justificam a fé depositada pelo cineasta com actuações fortes e sensíveis, que dão urgência à situação em que seus personagens se encontram.

George MacKay e Dean-Charles Chapman em cena de '1917' — Foto: Divulgação

MacKay havia mostrado no filme de 2016 que merecia a atenção dos estúdios, e talvez só não tenha sido mais lembrado em discussões para o Oscar de 2020 porque a categoria de actuação masculina já está sobrecarregada.

Os rostos desconhecidos para os heróis, somados à narrativa na qual o menos importante são os inimigos, levantam uma inevitável comparação a "Dunkirk" (2017), pelo menos no começo.

Com o tempo, o isolamento dos protagonistas, a linearidade da história e as escolhas estéticas de Mendes mostram que "1917" é algo bem diferente.

 

George MacKay em cena de '1917' — Foto: Divulgação

 

 

Beleza sem cortes

 

Muitos críticos consideram que o plano sequência que amarra o filme – a opção de usar uma só perspectiva na gravação, para dar a ilusão de que a produção não tem cortes – é um truque desnecessário. Dá para entender.

Em mãos menos capazes, realmente seria. Mas com um nome como o do director de fotografia Roger Deakins, vencedor do Oscar por "Blade Runner 2049" (2017) depois de 12 indicações, a ideia trabalha a favor da narrativa.

A câmera do inglês coloca o espectador no lugar dos protagonistas, no meio à lama e aos corpos que tomam as trincheiras e dá a dimensão de sua solidão.

O resultado são cenas tão belas que parecem higienizar os horrores da batalha, o que prejudica um pouco o próprio realismo que a linguagem adoptada tanto quer atingir.

 

Dean-Charles Chapman e George MacKay em cena de '1917' — Foto: Divulgação

 

Fim de fase

 

Com desconhecidos como protagonistas, grandes nomes aparecem através de participações pontuais.

Por mais bom que seja ver Andrew Scott ("Fleabag") como um tenente rezingão ou Benedict Cumberbatch ("Doutor Estranho") como um coronel durão, suas cenas são tão marcantes que pontuam demais a história.

Dessa forma, suas presenças parecem menos naturais e mais algo forçado, quase como o fim de uma fase de video game – reforçando a comparação com os jogos electrónicos.

 
 
Benedict Cumberbatch em cena de '1917' — Foto: Divulgação

Benedict Cumberbatch em cena de '1917' — Foto: Divulgação

Depois de Mark Strong ("Shazam") ou um Richard Madden ("Game of thrones"), resta apenas ao público aguentar durante a dificuldade a seguir até a próxima cara conhecida.

Mesmo com esses problemas, "1917" chega à corrida dos Oscares como um dos favoritos às principais categorias, gabaritado por uma técnica impecável e um olhar sensível de um conflito pouco explorado pelo cinema recente.

É inevitável se perguntar se o mundo realmente precisa de mais um filme de guerra. Mendes e Deakins provam que olhares diferentes ainda justificam sua existência.

 
Colin Firth em cena de '1917' — Foto: Divulgação

Colin Firth em cena de '1917' — Foto: Divulgação

 

Fonte: g1.globo.com/Cesar Soto

Ler 42 vezes Modificado em quarta, 15 janeiro 2020 13:29

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