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sábado, 09 março 2019 17:22

Ahmadis. Os muçulmanos hereges para os muçulmanos Destaque

Escrito por Carlos Ferro / DN
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Fazal Ahmad é o líder da Comunidade Islâmica Ahmadia© PAULO SPRANGER/Global Imagens Fazal Ahmad é o líder da Comunidade Islâmica Ahmadia© PAULO SPRANGER/Global Imagens

Os Ahmadis acreditam que o seu fundador é um subprofeta de Maomé e por isso são perseguidos pelos outros muçulmanos. Em Portugal são cerca de 500 e têm a mesquita num armazém discreto. Este sábado organizam o seu 16.º Simpósio pela Paz.

ezenas de livros, uma zona de oração para homens e outra para mulheres na mesquita improvisada. Muitas brochuras, umas sobre o Islão, outras referentes à Comunidade Islâmica Ahmadia e à sua posição sobre o extremismo islâmico e a religião. Alguns artigos sobre a comunidade publicados em jornais regionais. Tudo isto por trás das portas de uma armazém discreto situado na encosta de um bairro dos arredores de Lisboa.

Uma discrição a que estão habituados e que mantêm em Portugal onde os seus cerca de 500 membros podem assumir a sua crença sem serem perseguidos e criticados. O que não acontece em alguns outros países com predominância de muçulmanos que os consideram hereges já que os Ahmadis acreditam que Maomé não é o último profeta. Para esta comunidade podem existir subprofetas como o seu fundador - Hadrat Mirza Ghulam Ahmad, que em 1889 se proclamou o "Messias Prometido" dizendo ter recebido revelações divinas de Maomé e ter como missão ser um guia dos homens.

Sem votar

Esta crença dos Ahmadis transformou-os em alvos de perseguições principalmente no Paquistão, que a par da Índia tem as maiores representações desta comunidade.

"No Paquistão não podemos votar como muçulmanos, nem podemos fazer parte de um partido político, se o fizermos tem de ser como não muçulmanos. Também não podemos ter mesquitas, publicar livros ou jornais", conta Fazal Ahmad, o presidente e missionário da comunidade em Portugal. "[para votar] Teríamos de dizer que o fundador da comunidade era um falso profeta e isso nós não podemos aceitar", acrescenta.

Esta tensão religiosa já levou mesmo a que um ministro do Paquistão - Zahid Hamid, responsável pela pasta da Justiça em 2017 - tivesse de se demitir quando o parlamento aprovou uma reforma eleitoral que os islamitas consideraram um ato de blasfémia. A mudança, entretanto anulada, previa que no texto do juramento dos políticos paquistaneses fosse alterado a frase "eu juro solenemente" para "eu acredito" [em Maomé como o último profeta do Islão].

Os clérigos consideraram que esta mudança era uma cedência à comunidade Ahmadia - que por lei não pode chamar mesquita aos seus locais de culto, não podem recitar o Alcorão ou mostrar sua fé em público de qualquer maneira. E chegaram a bloquear Islamabad, a capital paquistanesa.

Simpósio pela paz

Em Portugal esta comunidade é praticamente desconhecida, o que não acontece a nível mundial, onde tem milhões de seguidores em mais de 200 países. A sua defesa da paz - "o fundador da comunidade acreditava que não há necessidade de levantar a espada para defender o Islão, nem o Profeta Maomé levantou a espada para obrigar as pessoas a seguirem o Islão", diz Fazal Ahmad - tem como ponto máximo de mediatização o Simpósio da Paz que vai ter lugar este sábado em Londres, cidade onde vive o quinto Califa, Hadrat Mirza Masroor Ahmad.

Na 16.ª edição deste encontro inter-religioso será entregue o prémio para a Promoção da Paz que a comunidade atribui à pessoa ou entidade que consideram ter contribuído para paz no ano anterior.

O missionário nascido no Paquistão que lidera a comunidade em Portugal lembra que os Ahmadi têm como propósito ajudar o outro. Por isso, lideram projetos em África - como a construção de hospitais e escolas não religiosas, tendo ainda neste continente equipas que fazem instalações para fornecer água às populações. Sempre, como faz questão de frisar, sem qualquer financiamento externo - vivem do dinheiro que os fiéis dão - o que lhes permite manter "a independência".

Em Portugal, a sua ação passa por ajudar os membros da comunidade que precisam, ou quem a peça independentemente da sua crença. Com destaque para a ação a que chamam"dignidade do trabalho": "É uma atividade em que os membros da comunidade fazem limpeza em locais públicos quando há festas. Por exemplo, na manhã do ano juntamo-nos e limpamos os locais das festas."

É um exemplo que apontam da mensagem do seu fundador: "Estabelecer a relação entre o ser Humano e Deus. E estabelecer a paz." Um objetivo sempre presente nas suas palavras e que lhes é recordado nas transmissões televisivas da Muslim Television Ahmadiyya - o canal de televisão da comunidade só acessível por satélite e que todas as sextas-feiras transmite a intervenção do quinto Califa. Palavras que ouvem atentamente e que seguem sem duvidar.

Fonte: DN

Ler 27 vezes Modificado em sábado, 09 março 2019 17:38

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