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segunda, 25 fevereiro 2019 11:02

Óscares: "Green Book" vence na noite que também foi de "Roma", Bohemian Rhapsody" e de surpresa na Melhor Atriz Destaque

Escrito por NUNO ANTUNES / SAPOMAG
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Jim Burke, Charles B. Wessler, Nick Vallelonga, Peter Farrelly e Brian Currie, vencedores do Óscar de Melhor Filme por "Green Book" Jim Burke, Charles B. Wessler, Nick Vallelonga, Peter Farrelly e Brian Currie, vencedores do Óscar de Melhor Filme por "Green Book"

O palmarés recompensou outros filmes, mas principalmente "Green Book", "Roma", "Bohemian Rhapsody" e "Black Panther". "A Favorita" só ganhou uma estatueta, mas protagonizou a surpresa da noite.

"Green Book" foi o surpreendente vencedor dos Óscares anunciado por Julia Roberts numa noite que também foi de "Roma", se festejou a diversidade e em que nunca se ouviu tanto castelhano. Tudo sem anfitrião.

O filme só tinha cinco nomeações e ganhou três estatuetas: Melhor Filme, Ator Secundário (Mahershala Ali) e Argumento Original, sobre a história da amizade entre o famoso pianista negro Donald Shirley e o seu motorista branco Tony 'Lip', estabelecida durante uma viagem pelo sul dos Estados Unidos em plena época da segregação nos anos 1960.

O filme já conquistara o Prémio do Público do festival de Toronto, fora considerado o melhor filme de 2018 pelo National Board of Review, e conquistara três Globos de Ouro, entre os quais o de melhor filme de comédia, entre outros galardões. No entanto, também acabou por superar várias controvérsias, incluindo a dos que achavam que era a história de um "salvador branco".

Até Spike Lee, que estava na corrida por "BlacKkKlansman" e ganhou o Óscar de Melhor Argumento Adaptado, disse na sala de imprensa que "sempre que alguém está a conduzir alguém, eu perco", numa referência à vitória de "Miss Daisy" em 1989, no ano em que o seu "Não Dês Bronca" nem recebeu nomeações.

Com uma mensagem positiva, sem deixar de remeter para a atualidade americana em que renascem às claras as tensões raciais, a sua vitória confirmou a previsão de alguma imprensa especializada norte-americana, que defendeu que "Green Book" era a escolha mais consensual para os votantes que não estavam interessados em atribuir o principal prémio à Netflix, a plataforma de streaming criticada pelos estúdios tradicionais por privilegiar a distribuição na internet, ou a um filme estrangeiro a preto e branco.

 

Mas "Roma" e a Netflix não deixaram de fazer história pois ganharam três estatuetas importantes: Melhor Filme Estrangeiro, Realização e Fotografia, todos para Alfonso Cuarón, que se inspirou na sua infância no México dos anos 70.

Estes dois filmes não foram os únicos símbolos da comemoração da diversidade e tolerância: "Bohemian Rhapsody", sobre Freddie Mercury, homossexual e filho de emigrantes, acabou por ser o mais premiado, com quatro estatuetas, incluindo a de Melhor Ator para Rami Malek, e "Black Panther", uma celebração da cultura africana, recebeu três.

Mahershala Ali venceu o Óscar de Melhor Secundário, repetindo um feito de apenas há dois anos com "Moonlight", e onde se esperava que pudesse haver alguma surpresa, nas atrizes secundárias, Regina King confirmou os prognósticos de que tinha um ascendente sobre as outras nomeadas, incluindo Amy Adams (que mantém seis nomeações e nenhum Óscar) pela interpretação de uma mãe que defende o namorado da filha, injustamente acusado de violação em "Se Esta Rua Falasse".

"Estar aqui a representar um dos artistas mais grandiosos do nosso tempo, James Baldwin, é um pouco surreal", disse, em alusão ao autor do romance que o realizador Barry Jenkins adaptou ao cinema.

Regina King ganhou à primeira nomeação, tal como Rami Malek para Melhor Ator e... Olivia Colman para Melhor Atriz.

  

A vitória da britânica pela interpretação da Rainha Anne em "A Favorita" foi o choque da noite: com sete nomeações, Glenn Close era uma aposta seguríssima por "A Mulher", principalmente após um discurso memorável nos Globos de Ouro sobre a condição feminina.

Algumas previsões apontavam que, se existisse surpresa, realmente viria de Colman e não de Lady Gaga ("Assim Nasce Uma Estrela"), Melissa McCarthy ("Can You Ever Forgive Me?") ou da estreante Yalitza Aparicio ("Roma").

Mas nem a própria acreditava nisso, como se pode constantar tanto após ouvir Frances McDormand dizer o seu nome como no próprio discurso, que acabou por ser um dos mais adoráveis e genuínos da cerimónia.

Foi uma cerimónia mais política do que o esperado e provavelmente, a confiar em declarações anteriores do presidente e outros responsáveis da Academia, desejado.

É que uma das teorias para a quebra de espectadores da cerimónia é que não atrai os que vivem nos "Estados Vermelhos", aqueles no interior dos EUA que tradicionalmente são mais conservadores e "desprezam" os valores liberais do mundo do cinema.

As primeiras apresentadoras, Maya Rudolph, Amy Poehler e Tina Fey, inauguraram as "hostilidades" ao brincarem com os temas que aqueceram as últimas semanas antes dos Óscares: "Só uma atualização rápida, caso estejam confusos, não há anfitrião esta noite, não há categoria do Óscar popular e o México não vai pagar o muro"

O tema do muro prometido pelo presidente Donald Trump (nunca diretamente mencionado) também surgiu durante a apresentação do Óscar de Melhor Filme Estrangeiro, quando, falando em castelhano com legendas em inglês, Javier Bardem recordou que "não há fronteiras ou muros que possam conter inventividade e talento. Em qualquer região de qualquer país de qualquer continente, há sempre grandes histórias que nos movem. E hoje celebramos a excelência e importância das culturas e línguas de diferentes países".

Ao receber o prémio, Alfonso Cuarón recordou: "Cresci a ver filmes em língua estrangeira, aprendendo muito com eles, inspirando-me. Filmes como 'O Mundo a Seus Pés', Tubarão', e não há ondas, só um oceano. Acho que os nomeados de hoje são a prova de que fazemos parte do mesmo oceano".

Exigindo não ser cortado pela música da orquestra (que foi implacável com outros premiados durante grande parte da noite), Spike Lee também fez o discurso mais político da cerimónia, em tons carregados sobre escravatura e racismo nos EUA, após receber de um entusiasmadíssimo Samuel L. Jackson o Óscar de Argumento Adaptado por "BlacKkKlansman" (único prémio em cinco nomeações).

E para que não restassem dúvidas sobre o que estava a pensar, terminou assim: "As eleições presidenciais estão quase aí. Vamos todos mobilizar, vamos todos estar do lado certo da história. Façam a escolha moral entre amor versus ódio. Vamos fazer a coisa certa! [uma referência ao título do seu filme "Do the right thing"]. Vocês sabiam que tinha de encaixar lá isso".

Os Queen com Adam Lambert foram o número de abertura da cerimónia dos Óscares, com "We Will Rock You" e "We Are The Champions" a colocarem em pé a elite de Hollywood.

No fim da atuação, surgiu a imagem gigantesca de Freddie Mercury e, de facto ao "biopic" sobre a sua vida e os Queen só faltou o Óscar de Melhor Filme, pois ganhou as outras quatro categorias a que concorria.

A maior de todas, claro, foi a de Rami Malek como Melhor Ator, que não se esqueceu de agradecer ao grupo e, seguindo o espírito da cerimónia, recordou que era filho de emigrantes naturais do Egito e pertencia à primeira geração de americanos. Terminou com uma declaração de amor a Lucy Boynton, que interpretou o papel da melhor amiga do vocalista no filme.

Já após o fim da cerimónia, o ator esteve no centro de outra notícia mediática: caiu do palco e recebeu assistência dos paramédicos.

Já Nina Hartsone tornou-se a primeira mulher europeia a ser nomeada e a vencer o Óscar de Melhor Montagem de Som, prémio que partilhou com John Warhurst.

"A indústria cinematográfica é difícil, é preciso trabalhar muito para perseverar", disse a britânica, no encontro com jornalistas. "É preciso colaborar e tentar aprender o máximo que for possível para subir na carreira", elaborou.

Os outros dois prémios foram para Efeitos Sonoros e Montagem, este para John Ottman, que teve de editar sem o auxílio do realizador Bryan Singer, despedido perto do fim da rodagem e entretanto acusado de violação de adolescentes, que ficou fora de todos os discursos.

Confirmou-se que o Óscar de Melhor Canção para "Shallow" era mesmo o mais previsível da noite.

A atuação ao vivo com Lady Gaga e Bradley Cooper prometia ser uma das grandes atrações da cerimónia e não se pouparam esforços para fazer a melhor apresentação: os dois subiram ao palco vindo dos seus lugares na audiência para uma recriação fiel ao espírito intimista e emotivo do momento em que a canção surge no filme.

Os dois tiveram direito a duas ovações em pé, uma captada por instantes pelas câmaras e outra durante o intervalo quando regressaram aos seus lugares.

Mais tarde, na vitória da estatueta, a única ganha por "Assim Nasce Uma Estrela", Mark Ronson, Anthony Rossomando e Andrew Wyatt juntaram-se a Lady Gaga no palco, que depois de agradecer a Bradley Cooper comoveu o público com estas palavras: "Isto é trabalho a sério, trabalhei a sério durante muito tempo e não é sobre ganhar, mas sobre não desistir. Se tem um sonho, lute por ele. Existe uma disciplina para a paixão. Não é sobre as vezes em que se é rejeitado. Em que se cai ou se está batido. É sobre as muitas vezes em que se levanta e se é corajoso e se continua em frente".

Após a atuação dos Queen, coube Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudolph entregar o primeiro Óscar, o de Melhor Atriz Secundária.

Antes garantiram que não eram as anfitriãs da cerimónia, mas acabaram por fazer um "ensaio" a mostrar como poderia ter sido e não se esqueceram de todas as confusões antes da cerimónia (a ausência de anfitrião, claro, mas também as ideias abortadas do Óscar para o Filme Mais Popular e dar prémios de quatro categorias nos intervalos)

Outro grande momento de humor foi protagonizado por Melissa McCarthy na categoria de Melhor Guarda-Roupa.

A atriz apresentou-se com um traje inspirado pela Rainha Anne de Olivia Colman em "A Favorita", coelhos (falsos) incluídos, acompanhada por Brian Tyree Henry, também com o guarda-roupa apropriado para a ocasião.

O espetáculo divertiu a elite de Hollywood, mas o riso aumentou quando um dos coelhos tornou mais difícil... abrir o envelope onde estava, afinal, "Black Panther".

"BLACK PANTHER" FEZ MESMO HISTÓRIA

"Black Panther" já tinha um feito antes da cerimónia começar: era a primeira produção na história da Marvel na corrida a Melhor Filme.

Dos sete para que estava nomeado, o filme de Ryan Coogler conseguiu três Óscares e para além do de banda sonora para o sueco Ludwig Göransson, os outros dois foram mesmo históricos.

Hannah Beachler tornou-se a primeira afro-americana a vencer o Óscar para Direção Artística, em conjunto com Jay Hart, e fez um discurso muito emotivo, dizendo ainda nas entrevistas de bastidores que caiu de joelhos e chorou, no dia em que viu o primeiro cenário montado.

"Não deixem que ninguém vos diga que não conseguem fazer este trabalho", afirmou Beachler.

Já Ruth E. Carter recebeu o Óscar de Guarda-Roupa, também a estreia na categoria para uma afro-americana, que começou o discurso por agradecer a quem lhe deu a primeira oportunidade: Spike Lee, que realizou em 1992 "Malcolm X", que lhe valeu a primeira nomeação, também foi histórica.

"A Marvel pode ter criado o primeiro super-herói negro, mas através do guarda-roupa, nós tornámo-lo um rei Africano", recordou.

"HOMEM-ARANHA: NO UNIVERSO ARANHA" TERMINA COM DOMÍNIO DISNEY-PIXAR NA ANIMAÇÃO

Afinal, houve uma produção sobre super-heróis a ganhar uma estatueta de "Melhor Filme": "Homem-Aranha: No Universo Aranha" foi o Melhor Filme de Animação.

Uma nova abordagem da história e o inovador estilo visual contribuíram para que Peter Ramsey se tornasse o primeiro realizador negro a ganhar na categoria.

Mas o filme, produzido pelos produtores Phil Lord e Christopher Miller, tornou-se também a primeira vitória em animação para os estúdios Sony, que tem sido praticamente sempre dominada desde a sua criação em 2001 pela Disney e a Pixar. A tal ponto que esta é a primeira vez desde 2011 que não alterna entre ambos.

ÓSCAR DE MELHOR DOCUMENTÁRIO VAI PARA FILME COM PORTUGUESES NA EQUIPA

"Free Solo" ganhou o Óscar de Melhor Documentário, que tem na equipa de som dois portugueses, Joana Niza Braga e Nuno Bento.

No filme, , que se estreia a 17 de março no National Geographic, os realizadores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi acompanham o alpinista norte-americano Alex Honnold na escalada, sem cordas ou proteções, da parede de granito El Capitan, com 900 metros de altura, situada no Parque de Yosemite, nos Estados Unidos.

Em declarações à agência Lusa, na semana passada, Joana Niza Braga explicou o trabalho dela e de Nuno Bento foi “todo feito remotamente”, a partir de Lisboa, na pós-produtora de cinema Loudness Films, onde há “um estúdio de ‘foley’ bastante grande”.

O ‘foley’ permite criar sons que por vezes não são captados nas rodagens. Com o ‘foley’, é possível “criar a ilusão de que existe essa proximidade com as personagens que estão no ecrã”.

“Por exemplo, temos o Alex a escalar e nós conseguimos ouvir a parede e todo o material dele, quando na verdade é tudo falso. É tudo criado por nós: pelo ‘foley artist’ e pelo ‘foley mixer’, que juntos trabalhamos para conseguir tornar esse som verdadeiro para aquilo que estamos a ver”, explicou à Lusa.

O processo é feito com o ‘foley mixer’ na régie e o ‘foley artist’ num estúdio ao lado, com os dois separados por um vidro.

Os ‘foley artists’, “quem está a reproduzir o barulho”, costumam dizer, segundo Joana, “que os ‘foley mixers’ são os ouvidos, porque o som captado pelo microfone é diferente, um bocadito, da perceção auditiva normal”.

Fonte: SAPO MAG

Ler 91 vezes Modificado em segunda, 25 fevereiro 2019 11:12

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