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segunda, 01 outubro 2018 10:23

Theresa May jura fidelidade ao Brexit Destaque

Escrito por António Freitas de Sousa - jornaleconomico
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A convenção anual do Partido Conservador britânico voltou a colocar em evidência que a sua líder, Theresa May está cada vez mais isolada. Entretanto, os trabalhistas estão à espera que a primeira-ministra arranje tempo para governar.

Num encontro que prometia ser explosivo – a convenção anual do Partido Conservador britânico, que começou ontem na cidade de Birmingham – a primeira-ministra Theresa May, acossada por uma parte importante do seu próprio partido, quis desfazer qualquer dúvida sobre o seu empenhamento no Brexit.

Num quadro em que todos os dias surgem mais pedidos para que o referendo seja repetido – e cada vez mais setores da sociedade acreditam que isso acabará por acontecer – Theresa May quis separar as águas e afirmou que está emprenhada no Brexit e na criação de condições para uma saída que possa ser favorável às pretensões britânicas.

Na sua intervenção, Theresa May subtraiu-se a avançar com novas propostas sobre a matéria, afirmando que está à espera do que tem Bruxelas para dizer sobre o que está em cima da mesa. A bola está do lado continental e, para já, não há nada a acrescentar em termos de propostas do governo.

 

Mas May sabe que está em terreno muito difícil – principalmente depois de se ter tornado conhecido (há pouca semanas) um plano para uma espécie de golpe palaciano para remover a primeira-ministra da liderança do partido. O plano era detalhado e incorporava mesmo uma lista de possíveis substitutos e, entre outras coisas, serviu para deixar ainda mais evidente a profunda divisão dos conservadores, por um lado, e por outro, para mostrar que a líder do partido está cada vez mais sozinha.

É que, aparentemente, não há no seio dos conservadores praticamente ninguém que apoie o plano de May (conhecido com Chequers) para o Brexit: parte substancial do partido quer uma saída mais dura e uma pequena parte que um Brexit ainda mais suave.

Nos dias anteriores à reunião que ontem teve início, os principais críticos de May estiveram muito atarefados em provar que deixaram de querer manter-se calados ara fazerem de conta que o partido está unido. Um dos mais atarefados foi mesmo o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros Boris Johnson – que precisamente comentou numa entrevista duvidar que a primeira-ministra ainda queira o Brexit.

A intenção de Johnson parece ser a de fechar todas as portas à repetição do referendo e a de ‘emparedar’ May contra o compromisso do Brexit, cotando-lhe todas as possibilidades de ceder a um novo escrutínio – até porque muito provavelmente o ‘sim’ à saída iria perder.

Entretanto, Theresa May não desarma do ‘seu’ Brexit e criticou duramente os que lhe apontam alternativas. Uma dessas alternativas que aparenta estar a ganhar adeptos – o chamado Brexit à canadiana – mereceu grandes reticências da líder dos conservadores, que chamou a atenção para o facto de o acordo aduaneiro entre o Canadá e a União Europeia ter demorado sete anos a ser negociado.

Ora, a falta de tempo é precisamente uma das condicionantes do processo, que terá de estar fechado em poucas semanas. Mas já ninguém parece acreditar que resultados significativos venham a ser alcançados antes da cimeira especial de chefes de Estado e de governo da União Europeia, a marcar precisamente para os 28 discutirem o Brexit.

No meio da guerrilha interna que se apoderou dos conservadores, os trabalhistas não podiam estar mais satisfeitos – arriscando dizer, com pouca margem de erro, que o governo está tão empenhado na sua luta contra as mais diversas correntes do Partidos Conservador, que dificilmente arranja tempo para governar, para estar atento ao que anda Bruxelas a fazer e para engendrar um plano que coloque os britânicos a salvo dos piores cenários que vão sendo descritos por vários observadores.

Ler 82 vezes Modificado em segunda, 01 outubro 2018 10:28

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